Brasil - A cozinha que se desenha para o futuro tem muito do passado. Entre as novas tendências, os equipamentos e materiais de baixo impacto ambiental, que trazem tecnologia de ponta e atendem ao apelo ecológico. Do passado vem todo o resto: pé-direito alto (ao menos 2,8 metros), ventilação cruzada, e iluminação natural, de preferência a que chega pela manhã.
O fogão volta a ser o centro das atenções nos projetos, não apenas como resultado do modismo das cozinhas gourmets. "O espaço de convívio do brasileiro é de fato a cozinha, herança portuguesa", diz o professor do Departamento de Projeto da FAU-USP, Issao Minami.
O arquiteto Beto Mangabeira diz que, normalmente, na hora de fazer o zoneamento de uma casa, o projetista procura localizar toda a parte de lazer, social e íntima nas faces leste, norte ou oeste e a de serviço, que inclui cozinha e lavanderia, na face sul. "Não há insolação nesta face, que é batida pelo vento frio no inverno."
Nos projetos modernos, no entanto, a cozinha vem sendo trazida para o centro. "Na minha casa coloquei a churrasqueira e fogão à lenha na sala, que é integrada à cozinha", conta Mangabeira.
A arquitetura tem soluções para a falta de insolação e vento. "Basta usar uma janela de vidro fixa, que não abre", sugere Mangabeira. E também para o calor excessivo, embora, neste caso, nunca será 100% eficiente: "Ou brises e barreiras para o sol ajudam", diz.
A arquiteta escolhida para o projeto Residência Sustentável, da Sustentax (certificadora de materiais de construção), Cilene Monteiro Lupi, conta que a 3M está lançando uma película que barra o calor sem barrar a luz, ótima nestes casos.
Se não tiver possibilidade de ter luz natural, o arquiteto e professor da FAU/USP Carlos Lemos, diz que hoje, a iluminação artificial pode resolver muito bem, desde que haja orientação técnica. "As lâmpadas frias economizam energia, mas podem mascarar problemas de conservação de alimentos, pois mudam a cor", diz o eletricista Roberto Giacometti. Para evitar esse problema, Giacometti ensina a comprar lâmpadas com até 4 mil graus Kelvin de temperatura de cor. "É a mais próxima da luz do sol. A indicação está na embalagem."
Ordem. Lemos diz que cozinha sustentável sempre foi e ainda é a cozinha racional. "Há uma ordem certa para se projetar que garante essa racionalidade." Ela começa com a área de estocagem (geladeira e dispensa numa ponta); seguida pela de preparação (bancada com pelo menos 1 metro de comprimento, mais a pia) e termina na área de cozimento, com nova área de apoio entre pia e fogão. Lemos diz que faz projetos desde os anos 1950 e desenvolveu um padrão. "Coloco uma faixa de 60 centímetros de tijolo de vidro sobre a pia, depois uma fileira de armários em altura acessível e, no alto, janelas de ventilação", conta. Ele diz que usou esse padrão até mesmo em prédios residenciais.
Água, eletricidade, iluminação e lixo devem ser prioridade. Projetos raramente colocam encanamento e tomadas uma para cada equipamento nos lugares corretos.
A cozinha sustentável deve atacar quatro grandes problemas: a água, a eletricidade, a iluminação e o lixo. "Os projetistas jamais pensam nas tomadas ou no encanamento", diz o arquiteto Carlos Lemos, professor da FAU/USP. O eletricista Roberto Giacometti diz que, em um projeto preocupado com a sustentabilidade, a primeira coisa é saber a origem da água para racionalizar a tubulação e, no caso das tomadas, garantir que haverá uma para cada equipamento. "Nunca se deve usar benjamim", alerta Lemos. Giacometti, que fará os projetos elétricos e hidráulicos da Residência Sustentável da Sustentax, diz que, na parte hidráulica, tem optado pela caixa de gordura. "Ajuda a desviar a gordura da rede de esgotos."
Lixo. Além de separar recicláveis do orgânico, o arquiteto Beto Mangabeira sugere o uso de um compactador elétrico (R$ 4.900) para reduzir o volume e uma composteira, que irá produzir adubo. "Existem opções especiais para uso urbano, sem cheiro ou chorume", conta. Além de escolher lâmpadas de baixo consumo, é possível trazer a luz do sol, mesmo quando não há janelas. A Naturalux está distribuindo no Brasil o Solatube, um tubo que traz a luz do sol até o ambiente por meio de jogo de espelhos (R$ 1.165,00 para 20 m²).
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