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31.07.19
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Novas tecnologias viram aliadas no combate à pobreza energética
Fonte: Estadão - 31.07.2019
Maure Pessanha*

Brasil – O conceito de pobreza energética – criado na Inglaterra na década de 1990 – surgiu para definir a incapacidade de o indivíduo adquirir os serviços de energia para atender as necessidades básicas. No Brasil, o tema pode ser analisado sob duas óticas: pela falta de acesso à rede de energia (oferta) e por usuários que não conseguem consumir adequadamente ou que não conseguem pagar por uma quantidade apropriada de energia (demanda).

Na prática, estamos falando da combinação dos fatores: renda familiar insuficiente, preço cobrado pela energia e falta de eficiência energética nas habitações. Quando pensamos em demanda, as moradias da população de menor renda possuem fatores que influenciam o maior consumo de serviços energéticos (como lâmpadas e ventiladores). Construídas precariamente com materiais inadequados – que podem aumentar a temperatura da casa – e com poucas janelas, que diminuem a ventilação e a iluminação, essas moradias acabam tendo contas de energias mais altas e trazendo menos conforto. Os aparelhos eletrodomésticos muitas vezes são velhos e menos eficientes, resultando em contas de luz mais caras.

Em relação à oferta, embora 99,5% dos domicílios brasileiros tenham acesso à energia elétrica, 350 mil residências ainda não têm o serviço público, de acordo com Resenha Energética Brasileira (2017). Em 2010, domicílios com renda de até dois salários mínimos registravam o menor índice de acesso à energia elétrica; desses, 80% localizavam-se em áreas rurais, em especial no Norte e no Nordeste.

E por que é tão importante pensar no conceito de pobreza energética? Porque a falta de energia está relacionada a impactos graves. Na esfera socioeconômica, ela gera menos horas de atividades em ambientes fechados; menor escolaridade e menor ganho salarial; menor acesso a informações por meio de televisão e internet; menor produtividade em atividades domésticas e agropecuária; menor capacidade de realização de negócios; e gastos mais elevados no pagamento de outras fontes de energia.

Na qualidade de vida, podemos citar menos convivência familiar; risco de incêndios pelo uso de velas e lampiões. No âmbito público, menor segurança e maiores índices de violência por falta de iluminação; menor oferta de serviços de saúde; menor variedade de serviços educacionais; e menor oferta de atividades sociais e esportivas.

Um mapeamento conduzido pela Artemisia em 2018 – Tese de Impacto Social em Energia – mostra que as novas tecnologias têm colaborado para mudar essa realidade, trazendo mais protagonismo ao usuário. Em um novo cenário, o consumidor tem a capacidade de gerar e armazenar a própria energia, além de contar com sistemas de gerenciamento. É o chamado “prosumidor” – neologismo baseado no termo em inglês prosumer, que representa a junção das palavras produtor e consumidor.

Esta produção descentralizada constitui importante variável na expansão do mercado. O prosumidor participa de maneira ativa ao começar a produzir a própria energia, possibilitando o envio dessa produção diretamente para o sistema. Como resultado, menor custo pela energia consumida. Projetos de micro e minigeração podem abrir oportunidades para o setor elétrico. O consumidor pode, inclusive, gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis ou cogeração qualificada – fornecer, também, o excedente para a rede de distribuição. Os potenciais benefícios são: a energia produzida não precisará percorrer longas distâncias até centros urbanos e indústrias; adiamento de investimentos em expansão dos sistemas de transmissão; diversificação da matriz energética; e redução de preço para o consumidor.

Quando o tema é energia solar, apesar de sermos o País com o maior potencial do mundo na temática, a participação desse tipo de energia ainda é pouco expressiva. Entre os motivos, a falta de políticas de incentivo do Estado e o investimento inicial de alto custo. Entre os benefícios, destaque para o fato de ser uma fonte limpa e o potencial de crescimento nos próximos anos, com diminuição dos custos.

As redes elétricas locais – que podem ser desconectadas do sistema central e alimentadas por fontes como solar e eólica – surgem como soluções para otimizar a produção. Combinando tecnologias em nome da eficiência, as redes inteligentes (smart grids) prometem uma revolução, com maior flexibilidade na distribuição, menos falhas elétricas, maior controle do usuário sobre o consumo e maior planejamento frente à demanda de energia.

A tecnologia blockchain – que guarda informações de forma descentralizada – pode ajudar a reforçar o papel desse novo consumidor, permitindo a transação da energia descentralizada diretamente entre o produtor e consumidor, sem a necessidade de um intermediário.

Os desafios do setor elétrico precisam ser equacionados. É preciso garantir acesso à energia confiável e de boa qualidade a um custo acessível; oferecer soluções diferentes para atender à enorme diversidade regional; melhorar a infraestrutura nas periferias das zonas urbanas; diminuir a dependência dos recursos hídricos; e apoiar soluções que produzam energia perto dos centros de consumo.

Uma frase que resume o momento que vivemos foi proferida por Ban-Ki-Moon, oitavo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU): “A energia é o fio comum que conecta o crescimento econômico com maior equidade social e sustentabilidade ambiental que permitirão ao mundo prosperar”.

*Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

Esta notícia não é de autoria do Procel Info, sendo assim, os créditos e responsabilidades sobre o seu conteúdo são do veículo original, exceto no caso de notícias que tenham necessidade de transcrição ou tradução, visto que se trata de uma versão resumida pelo Procel Info. Para acessar a notícia em seu veículo original, clique aqui.
  
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