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Assunto: ESPECIAL
29.11.19
|
Maratona estimula jovens a desenvolver soluções com foco na eficiência energética
Rio de Janeiro – Estudantes do Brasil, Argentina e Equador participam de maratona cujo objetivo principal é desenvolver projetos com utilização sustentável de diversas fontes de energia
Divulgação
Tiago Reis, para o Procel Info
Rio de Janeiro – Uma grande competição em que o objetivo era só um: a busca pela eficiência energética. Assim foi a quarta edição da Shell Eco-Marathon Brasil, uma competição que reuniu jovens estudantes de vários estados do Brasil, da Argentina e do Equador, que utilizaram os seus conhecimentos para projetar, construir e desenvolver veículos protótipos para competirem nas categorias Bateria Elétrica, Etanol e Gasolina. Organizada pela Shell, a Eco-marathon desafia os competidores a construírem protótipos de carros que percorrem, em uma pista construída exclusivamente para o evento, a maior distância com a menor quantidade de energia. Os vencedores são convidados para disputar a etapa mundial, que será realizada em abril de 2020 no autódromo de Sonoma, nos Estados Unidos. Além do Brasil, a competição também é realizada nos Estados Unidos, Europa e Ásia.

Presidente da Shell Brasil, André Araújo, destacou que o mundo atual passa por uma grande transformação, e que uma empresa de óleo e gás investir em uma maratona de eficiência energética não é uma contradição, mas sim o reconhecimento de que a transição energética é um caminho sem volta. “Internacionalmente, o nosso grupo tem feito investimentos em energias renováveis, e investimentos bem razoáveis em carregar carros através de energia elétrica, entrando bem no potencial novo varejo. Tem tido posições bastante firmes em alguns mercados, como na Europa, que em um determinado momento deve banir os carros movidos a combustíveis tradicionais. Isso mostra claramente que a Shell é a companhia que tem a maior rede de postos de recarga na Europa, não tendo vergonha de dizer que essa é uma mudança que veio para ficar. Cada um tem o seu tempo, cada país vai escolher o seu caminho, e a gente não está olhando isso como risco, a gente está olhando isso como oportunidades do que a gente precisa fazer para se colocar nesse mercado que vai mudar. Talvez a gente não sabe absolutamente como, mas a gente sabe que vai mudar”, analisou.

Araújo avaliou que nesse contexto a empresa, além de promover medidas para tornar a sua operação mais sustentável, tem como meta reduzir as emissões de carbono em 50% em 2050. Além disso, ele destaca que a eficiência energética é uma meta em todas as operações da Shell e que a empresa aposta em renováveis para crescer. “A Shell tem investido, por ano, de US$ 1 a US$ 2 bilhões de seu portfólio global em energias renováveis. A partir do ano que vem (2020), a meta é aumentar para US$ 3 bilhões anuais. Isso nos coloca entre os três maiores do mundo em energias renováveis”, ressaltou.

A COMPETIÇÃO

Durante três dias, os estudantes de engenharia - e outras áreas do conhecimento - puderam colocar na pista o trabalho realizado nos últimos 12 meses para desenvolver um veículo com a maior eficiência energética possível, ou seja, um carro que consegue percorrer a maior distância com a menor quantidade de energia ou combustível. Entre os combustíveis mais utilizados no país, o etanol foi o que apresentou a maior eficiência energética na maratona deste ano. Tricampeã da Shell Eco-marathon, a equipe Pato a Jato, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), alcançou a impressionante marca de 702,4 km/l, superando o recorde anterior, que havia sido de 443,7 km por litro de etanol. Entre os protótipos movidos a gasolina, a equipe Drop Team, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS), vencedora de 2018, também superou a própria marca e foi campeã novamente ao conseguir percorrer 542,4 km/l. No ano passado, o protótipo percorreu 424,9 km/l. Já a equipe MecMack, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, venceu entre os carros elétricos, alcançando a marca de 259,3 km/kWh.
Além de promover medidas para tornar a sua operação mais sustentável, a Shell tem como meta reduzir as emissões de carbono em 50% em 2050. Para isso, a eficiência energética ocupa uma posição de destaque

A categoria bateria elétrica foi a que apresentou a maior evolução em níveis de eficiência energética. Para o CEO da Shell Brasil, os resultados alcançados pelos protótipos elétricos mostram que a mobilidade elétrica veio para ficar e reforça que os jovens são de uma geração cada vez mais engajada num perfil de consumo consciente e uma prova disso foram as marcas da categoria bateria elétrica. “Foi excelente o grupo que trabalha com a Eco-marathon ter definido a categoria baterias, além da tradicional gasolina. Nós aqui no Brasil tivemos a tropicalização da maratona quando nós colocamos o álcool, que é um energético da realidade brasileira. Mas falando do setor de baterias, isso é uma grande transformação, e extremamente rápida. A gente tem visto, tanto em universidades, em pesquisa de base, em testes e com fornecedores profissionais, já muito ligados à área do setor elétrico para veículos, que são grandes evoluções. Essa é uma situação que cria um desafio para saber qual combustível vai se destacar daqui a alguns anos. E para a sociedade isso é muito bom, essa busca de eficiência, e vai vencer quem conseguir mostrar que é mais eficiente”, avalia Araújo.

Capitã da equipe MecMack, a estudante de engenharia mecânica Grazielly Larainny, avaliou que a competição foi uma grande oportunidade para colocar a eficiência energética em evidência, principalmente no setor de transportes, que deve ter cada vez mais presença de veículos elétricos. “No Brasil, não existem muitas competições para eficiência energética. Então, é muito importante que uma empresa como a Shell, mesmo atuando na área de petróleo, continue investindo nesse tipo de competição, já que estamos num momento de transição energética, e eles sabem que o futuro é elétrico. Não vamos para sempre usar combustível fóssil para gerar energia, então, é bom que eles já invistam para serem pioneiros nisso e para que nós, como estudantes, possamos colocar em prática nossos conhecimentos”, pontua Grazielly.

Opinião semelhante tem Jefferson Mika, capitão da equipe Eficem, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus, Joinville. Para o estudante de Engenharia Aeroespacial, a falta de apoio acaba inibindo o desenvolvimento de novas soluções eficientes na indústria automotiva. “Temos pouco espaço para testar nossos conhecimentos. Infelizmente, no Brasil, ainda não contamos com grandes investimentos, tanto do setor público, quanto do privado. Tecnologia e conhecimento já existe no Brasil. É só ver as mais de 30 equipes que participaram da maratona. O problema é a falta de apoio”, analisou Mika.

Ele lembrou que em 2017 a Eficem conseguiu a melhor marca de um protótipo elétrico na competição, quando o carro fez uma média de 360 km/kwh. Mesmo com o recorde, que não foi batido até hoje, a equipe não conseguiu recursos para aprimorar o projeto e, quem sabe, levar esse protótipo para as ruas. “Conseguimos uma marca fantástica de gastar 1kw/h para percorrer uma distância similar à de Florianópolis até Curitiba. Isso dá aproximadamente um custo de R$ 0,80 de energia. A gente brinca na universidade que criamos um carro que pode ir de Curitiba até Florianópolis gastando menos que uma paçoquinha. Mas mesmo assim, o apoio ainda é muito pequeno”, avalia o estudante.

EFICIÊNCIA ALÉM DAS PISTAS

Nem todas as soluções desenvolvidas para a maratona de eficiência energética serão utilizadas exclusivamente na área automotiva. Várias universidades utilizam o conhecimento dos alunos para criar novos projetos eficientes nas áreas de edificações, indústria e armazenamento.

O estudante de engenharia automobilística da Universidade Tecnológica Nacional da Argentina, Álvaro Mejia Lombana, acredita que os carros elétricos são o futuro da humanidade, mas que, para isso, outros segmentos da sociedade também precisam tornar-se mais eficientes. O estudante, que foi piloto do carro da equipe Kiri Fan, protótipo que alcançou a terceira melhor marca na competição deste ano, revelou que o conhecimento adquirido na construção do protótipo também está sendo utilizado em um projeto da universidade que tem foco em plantas industriais. “A gente também está trabalhando com outras empresas que não são da área automobilística, como as do setor de plástico e de fibras. Estamos levando esses conhecimentos para outros setores dessas empresas, principalmente na melhoria da eficiência dos motores elétricos, que na Argentina são a muito antigos. Na Argentina, várias indústrias utilizam motores com idade superior a 30 e 40 anos, e a eficiência energética nesse segmento é imprescindível. E o que aprendemos construindo esse carro pode ser replicado nessas indústrias”, disse Álvaro.
Estudantes levam o conhecimento adquirido na competição para outras áreas da eficiência energética

Já Dieliton Fonseca Vieira, capitão da equipe do Instituto Federal do Maranhão, explica que algumas iniciativas projetadas para serem utilizadas no carro não se mostraram viáveis, mas foram adaptadas e utilizadas em projetos de armazenamento de energia. “Encontramos soluções na área de renováveis. A gente tem um projeto de pesquisa com uma torre de painéis solares móveis, aliado a um grupo gerador. Nós pretendemos instalar essa torre em uma escola no Maranhão. A escola não tem energia elétrica, já que é uma comunidade muito afastada. Durante o dia, a torre armazena a energia solar, carregando as baterias, e, à noite, a escola usa a energia das baterias. Se essa energia acabar, os geradores são ligados. Então, o foco da equipe não é somente eficiência energética veicular, mas também energias renováveis e consumo consciente”, disse.

Jefferson Mika, da Eficem/UFSC alerta que muitos estão empolgados com a revolução dos carros elétricos, mas sem eficiência energética de uma maneira mais ampla, essa transição pode não acontecer na velocidade desejada. “Na parte elétrica, só o carro elétrico ainda não tem viabilidade para rodar no Brasil. Cito isso usando como exemplo a cidade de São Paulo. Se você for substituir apenas a frota de carros dessa, por elétricos, você teria que construir outra Itaipu. De onde você iria suprir toda essa energia elétrica? Sem eficiência, não tem carro elétrico”, conclui.
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