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Assunto: Especial
29.03.19
|
Mulheres se destacam no setor de construções verdes
Minas Gerais – Arquitetas Patrícia Santos e Ana Carolina Veloso falam do crescimento da participação feminina no segmento de eficiência energética e edificações sustentáveis
Divulgação
Tiago Reis, para o Procel Info
Minas Gerais - O setor de Arquitetura e Urbanismo apresenta um crescimento constante na participação feminina. Dados do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) revelam que dos 167.060 profissionais registrados na entidade, 63,10% (105.420) são mulheres, enquanto 36,90% (61.640) são homens. O percentual de mulheres que atuam nesse setor tende a aumentar nos próximos anos, já que, de acordo com o estudo divulgado pelo CAU, no início deste mês de março, 2/3 dos estudantes de arquitetura são do sexo feminino.

E no setor de eficiência energética na arquitetura isso não é diferente. A participação de mulheres arquitetas em projetos de eficiência energética é crescente. Em entrevista ao Portal Procel Info, as arquitetas da consultoria Ares – Eficiência Energética e Sustentabilidade, Patrícia Santos e Ana Carolina Veloso, avaliam esse cenário e contam sobre como entraram neste mercado.

Na conversa, as duas arquitetas também falam sobre trajetória e principais desafios profissionais, mercado de trabalho e dicas para as jovens quem tem interesse em atuar na área de eficiência energética.

Confira a abaixo os principais trechos da entrevista:

Procel Info: Conte um pouco de sua trajetória profissional. Como e quando passou a atuar no segmento de energia/eficiência energética?

Patricia Santos: Comecei a trabalhar na área já no sexto período da faculdade de arquitetura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Lá fui bolsista de iniciação científica e a atuação se estendeu até o mestrado na área. Após a graduação, junto com outras colegas também do LabCon (Laboratório de Conforto Ambiental e Eficiência Energética no Ambiente Construído da Escola de Arquitetura da UFMG), começamos uma empresa voltada para consultoria em eficiência energética e sustentabilidade de edifícios. Hoje, já com a empresa já consolidada, não me vejo trabalhando em outra área.

Ana Carolina Veloso: Minha paixão por essa área de eficiência energética veio quando ainda estava na faculdade, com as disciplinas de conforto ambiental. No final da minha graduação, comecei a fazer iniciação cientifica no LabCon da UFMG, estudando o Regulamento de Eficiência Energética que estava em implantação. Depois que descobri esse mundo, soube que era essa área que queria seguir como profissão. Eu e duas outras bolsistas abrimos o nosso escritório, a Ares Eficiência Energética e Sustentabilidade, em meados de 2010. No início, trabalhávamos muito com projetos arquitetônicos, mas ao longo dos anos fomos mudando o foco do escritório e hoje em dia prestamos somente consultoria nessa área de Eficiência Energética e Sustentabilidade. Ao longo desses nove anos me capacitei muito, fiz mestrado, doutorado, pós- doutorado na área, além de diversos cursos que me deram base para prestar o serviço que faço hoje.

Procel Info: Qual a maior dificuldade que enfrentaram no decorrer da carreira, ou o maior desafio? O fato de ser mulher foi obstáculo em algum momento?

Patricia Santos: Dificuldades foram várias, mas destaco duas que considero as mais relevantes: capacitação empreendedora e mercado de eficiência energética e sustentabilidade pouco difundido. No início, a necessidade de capacitação empreendedora foi um grande entrave. Como não se trata de uma disciplina abordada pela universidade e, mais especificamente, por se tratar de um cenário pouco explorado, o acesso aos clientes e stakeholders é mais difícil. Além disso, o próprio interesse em aplicar eficiência energética e sustentabilidade nas obras não era uma realidade para as construtoras. Observamos, claramente, que, hoje esse cenário está mudando. O fato de ser mulher no mercado da construção civil sempre foi um “entrave” na minha opinião. Principalmente quando se trata se “primeira impressão”. Após alguns minutos de conversa, quando demonstramos domínio e conhecimento do tema, este preconceito se transforma em surpresa e, por vezes, até admiração.

Ana Carolina Veloso: O maior desafio foi entender o mercado, e o mercado entender a importância do nosso trabalho. Muitas empresas não acreditavam como essa área poderia ser diferencial para as obras. Hoje, apesar de toda dificuldade no mercado, o que vemos é uma mudança de comportamento e uma busca por esse diferencial. O fato de ser mulher no mundo da construção civil gera sempre um choque, mas quando se mostra conhecimento e firmeza no que trabalha, passa a ser uma pessoa bem articuladora na equipe. Mas, além disso, outra dificuldade foi as empresas acreditarem em pessoas com cara de ‘novas’ que trabalhavam com isso. A idade foi um grande problema na hora da venda do serviço.

Procel Info: Como vocês avaliam a forma com que o mercado trata a ascensão feminina a cargos de gestão? Por ser um setor com grande presença masculina, ainda existe desconfiança quando mulheres são selecionadas para ocupar esses cargos?

Patricia Santos: Eu acredito que este mercado já foi muito preconceituoso. Hoje já não vejo com estes olhos. Acredito ainda que há sim esse entrave inicial, no entanto, tenho percebido a atuação feminina se equilibrando à presença masculina. O entrave é desmascarado no momento da primeira atuação profissional. Tenho esta visão principalmente porque hoje tenho duas sócias mulheres e apenas um sócio homem. As decisões internas à empresa são sempre equilibradas independentemente do sexo.

Ana Carolina Veloso: Sim, ainda há uma desconfiança da competência da presença feminina em cargos de gestão e se ela dará conta dessa responsabilidade. Isso porque, por um longo período, a atuação era na grande maioria masculina, e o outro desconforto que ainda existe é de mulheres comandarem homens. Mas as mulheres ao longo do tempo foram se capacitando, mostrando que são capazes de ocupar altos cargos, que elas sabem articular bem uma equipe. Vejo que esse crescimento dessa ocupação vem acontecendo muito por movimentos de empoderamento feminino e muita divulgação nas mídias sociais. Hoje nossa empresa é na sua maioria de mulheres, e há um respeito muito grande entre todos independentemente do sexo e do cargo que ocupam.

Procel Info: Tratando de eficiência energética, o segmento de arquitetura e urbanismo é o que apresenta uma participação mais significativa de profissionais mulheres. Na opinião de vocês por qual razão isso acontece?

Patricia Santos: Acredito que seja no ingresso da faculdade. A disciplina de arquitetura e urbanismo historicamente atrai o público feminino por conta da aptidão artística que o curso se propõe. Além disso, o mercado de arquitetura e urbanismo é, muitas vezes, confundido e limitado ao uso criativo em projetos. E esta é uma área que se mostra atrativa ao mercado feminino.

Ana Carolina Veloso: Acredito que essa inserção de mulheres nessa área se deve ao fato dos cursos de Arquitetura serem na sua maioria feitos por mulheres. Mas, ao mesmo tempo, nessa área de eficiência energética, quando se trata de sistemas de ar-condicionado e parte elétrica, o que se vê é uma grande participação masculina. Temos que continuar incentivando dentro do curso de arquitetura a importância da multidisciplinaridade, de se fazerem cursos em outras áreas para a maior inserção no mercado. No meu caso, fiz arquitetura e urbanismo e vi a necessidade de ir para Engenharia Mecânica para entender melhor de sistemas e consumo de energia das edificações.

Procel Info: Qual dica vocês podem dar para as novas profissionais que estão entrando no mercado de energia/eficiência energética? Qual a característica que essas profissionais devem ter para se destacar nesse segmento?

Patricia Santos: Acredito que a maior dica é se capacitar sempre. Procurar o conhecimento em todas as etapas de vida profissional. Trata-se de um mercado muito dinâmico e inovador, portanto, é importante estar em constante capacitação. Além disso, o conhecimento traz confiança e nos faz acreditar no nosso potencial pessoal. Acredito também que é necessário um comprometimento com a divulgação da área. Como trata-se de uma área ainda pouco explorada e divulgada, é papel dos profissionais atuantes auxiliar nessa disseminação.

Ana Carolina Veloso: Continue estudando, estudando muito! Essa área tem muitas coisas ainda a ser descobertas, melhoradas, estudadas. É uma área especifica, dinâmica e não é suficiente somente um curso de graduação. Tentem achar aquilo que gostam dentro dessa área e façam da melhor maneira possível. Queiram ser as melhores. Se comprometam com a divulgação de resultados e a troca de experiência no dia a dia.

Patrícia Santos é arquiteta e urbanista graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável pela mesma instituição. Sócia e Diretora Técnica da Ares Eficiência Energética e Sustentabilidade , possui experiência na área de em conforto ambiental, eficiência energética e sustentabilidade de edificações e análises de desempenho térmico e lumínico. Também atua como consultora em projetos para certificação da Etiqueta PBE-Edifica, Selo LEED e Processo AQUA. Conquistou 1º lugar no Concurso OTEC de Eficiência Energética para Edifícios Existentes - Edição IBOPE, 2010.
Ana Carolina de Oliveira Veloso é arquiteta e urbanista pela UFMG, com mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável e doutorado em Engenharia Mecânica pela mesma universidade. Sócia do escritório Ares Eficiência Energética e Sustentabilidade e pesquisadora do LabCon (UFMG), possui experiência na área de conforto ambiental com ênfase em eficiência energética, sustentabilidade, análise de projetos para aplicação da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) e na aplicação da Norma NBR 15.575 nas áreas de Desempenho
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