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Assunto: Entrevista
20.02.19
|
'O Brasil deve encorajar o crescimento econômico a partir do investimento em eficiência energética'
Rio de Janeiro – Para Amanda Schutze, economista e pesquisadora do Climate Policy Initiative, a promoção do uso eficiente da energia deve ser pautada por um planejamento de longo prazo e ações bem estruturadas
Divulgação
Tiago Reis, para o Procel Info
Rio de Janeiro – O Brasil deve rever as suas ações para fomentar a eficiência energética nos diversos segmentos da sociedade. A opinião é da economista e pesquisadora do Climate Policy Initiative (CPI), Amanda Motta Schutze. Em entrevista concedida ao Procel Info, Amanda destacou que a indústria deve ser o principal foco dessas ações, já que o setor, por ser um dos maiores consumidores de energia elétrica do país, possui um grande potencial de eficiência energética. “Fica claro, que devem ser implementadas políticas públicas para estimular o uso racional de energia pela indústria incluindo as empresas de pequeno e médio porte”, avalia.

A economista considera que a criação de políticas financeiras que incentivem o investimento em eficiência energética é uma das possibilidades para romper as barreiras que travam o melhor aproveitamento da energia elétrica na indústria.

Na conversa, Amanda Schutze também abordou que, diferentemente do que aconteceu nas últimas décadas, as ações de eficiência energética devem ter um melhor planejamento visando resultados no longo prazo. Ela ressaltou, que, neste novo ciclo de governo, a eficiência energética será fundamental para a retomada do crescimento econômico. “O Brasil deve implantar medidas para encorajar o crescimento econômico a partir do investimento em eficiência energética, mostrando como novos modelos de negócio, inovações tecnológicas e medidas de economia de energia podem aumentar a competitividade das empresas”, disse Amanda.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Procel Info: O país iniciou em janeiro um novo governo com novas perspectivas para o setor de energia elétrica. Pensando em ações imediatas, quais políticas públicas devem ser implementadas para reduzir as barreiras que travam o crescimento da eficiência energética no Brasil?

Amanda Motta Schutze: O setor industrial tem um grande potencial na ampliação das medidas de eficiência energética no Brasil. No entanto, as políticas de eficiência energética no país não focam no setor industrial. Até agora, o alvo principal das políticas públicas em eficiência energética tem sido os consumidores residenciais. A baixa participação do setor industrial nos programas e financiamentos é incoerente com o fato de a indústria ser o maior consumidor de energia.
'A redução do consumo de eletricidade tem o potencial de estimular a produtividade e a competição das empresas, além de reduzir as externalidades ambientais negativas relacionadas à sua produção'

Desta forma, fica claro que devem ser implementadas políticas públicas para estimular o uso racional de energia pela indústria incluindo as empresas de pequeno e médio porte, como as práticas de avaliação e monitoramento do consumo de energia em unidades industriais, a imposição de níveis mínimos de eficiência para um maior número de equipamentos, assim como políticas financeiras que incentivem o investimento em eficiência energética. Outras possibilidades são as reduções tributárias vinculadas ao alcance de metas de eficiência energética, o mercado de certificados de eficiência energética, a venda de excedentes de energia com reduções decorrentes de medidas de eficiência energética, o investimento na formação de especialistas em eficiência, e a classificação das instalações industriais de acordo com sua eficiência energética, permitindo a comparação com outras instalações similares no país da mesma maneira que se faz com os equipamentos domésticos.

Procel Info: Então, na sua opinião, o país deve estimular as ações de eficiência energética com resultados no médio e longo prazo?

Amanda Schutze: Isso mesmo. As ações de promoção de eficiência energética devem ser pautadas por um planejamento de longo prazo bem estruturado, diferente do que aconteceu anteriormente no nosso país, onde as ações ocorreram em resposta a episódios específicos de dificuldade no atendimento da demanda por energia. A legislação de eficiência energética no Brasil é decorrente dos choques internacionais do petróleo na década de 70, da crise do financiamento internacional na década de 80 e, mais recentemente, foi impulsionada pelo racionamento de energia elétrica em 2001. Além disso, a condução de programas e implantação de políticas de eficiência energética envolvem mais de uma dezena de instituições, exigindo bastante interação nas suas ações. Na prática, este arranjo institucional revela-se truncado e pouco eficaz para o desenvolvimento de iniciativas mais abrangentes e efetivas. Então, é necessária uma simplificação deste modelo e uma atuação integrada e coordenada das várias instituições.

Procel Info: Quando se fala em retomada da economia, alguns especialistas alertam que o país pode não ter energia suficiente para atender todos os segmentos da cadeia produtiva. Como a eficiência energética pode contribuir, no curto prazo, para o crescimento econômico do Brasil?

Amanda Schutze: Quando a eficiência energética aumenta, a necessidade de expansão da capacidade física para geração de energia é reduzida. É possível manter o bem-estar e, ao mesmo tempo, reduzir o consumo de energia usando-a de maneira racional, e, desta forma, diminuir o investimento total necessário para atender à demanda futura de energia. O Brasil, por mais que tenha elaborado um plano nacional de eficiência energética em 2011, não implementou medidas efetivas para promover a utilização racional de energia. O tema deve ser introduzido de forma prioritária na agenda do governo para que o país aproveite a oportunidade de recuperação, uma vez superada a atual crise econômica. O Brasil deve implantar medidas para encorajar o crescimento econômico a partir do investimento em eficiência energética, mostrando como novos modelos de negócio, inovações tecnológicas e medidas de economia de energia podem aumentar a competividade das empresas. A redução do consumo de eletricidade tem, portanto, o potencial de estimular a produtividade e a competição das firmas, além de reduzir as externalidades ambientais negativas relacionadas à sua produção.
'Os consumidores muitas vezes não estão dispostos a pagar mais por produtos mais eficientes, pois não conhecem quais serão os retornos dessas medidas. Restrições ao crédito enfrentadas por pequenas e médias empresas também impedem que os potenciais de eficiência energética sejam alcançados'



Procel Info: Muito se fala em geração própria de energia, mas sobre consumo consciente a abordagem ainda é tímida. Quais seriam as formas para trazer a eficiência energética para o cotidiano das pessoas?

Amanda Schutze: A baixa adoção de equipamentos energeticamente eficientes e os níveis subótimos de investimento estão associados a uma série de barreiras, como concentração de mercado e informação imperfeita, as quais impedem a exploração completa dos potenciais de conservação de energia. Consumidores, setor industrial, setor residencial e outros, muitas vezes, não estão dispostos a pagar mais por produtos mais eficientes, pois não conhecem realmente quais serão os retornos de tais medidas. Restrições de acesso a crédito enfrentadas por pequenas e médias firmas também têm impedido que os potenciais de eficiência energética sejam alcançados. É necessário investir na maior disponibilidade de informação, criar uma cultura de gestão energética, incluir mais disciplinas focadas em eficiência energética nos cursos universitários e técnicos, reduzir a aversão aos riscos técnicos da substituição das tecnologias por outras mais eficientes, através da divulgação mais intensa de informações sobre equipamentos e processos eficientes. Também podem ser promovidos mecanismos que estimulem a contratação de serviços de especialistas em eficiência energética e podem ser oferecidos cursos de capacitação para os agentes de financiamento para reduzir a dificuldade desses em compreender e mensurar os resultados dos projetos de eficiência.
Amanda Motta Schutze é doutora em Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestre pela Fundação Getúlio Vargas (EPGE/FGV-RJ) e bacharel em Economia pela PUC-Rio. Atualmente é professora de economia do setor público na PUC-Rio e Analista Sênior do Climate Policy Initiative (CPI). Nas suas pesquisas, concentra-se me estudos no setor de energia e em ações que podem contribuir para o Brasil atingir suas metas climáticas
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