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Assunto: Panorama Nacional
18.01.21
|
Energia solar para o desenvolvimento social
Comunidade da Babilônia, no Rio de Janeiro, se torna a primeira do país a ter uma cooperativa de energia solar. Projeto é da ONG Revolusolar que atua para promover o desenvolvimento sustentável por meio da geração de energia e ações socioeducativas
Divulgação
Débora Anibolete, para o Procel Info
Rio de Janeiro – O Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, acaba de se tornar a primeira comunidade do Brasil a contar com uma cooperativa de energia solar. A iniciativa é da Revolusolar, ONG carioca que atua no local utilizando esse tipo de fonte energética para promover o desenvolvimento sustentável. A ação envolveu a implantação de uma usina de geração distribuída na sede da associação de moradores para promover o fornecimento e, assim, permitir a diminuição da despesa dos beneficiários com energia elétrica. Inicialmente, a cooperativa vai atender cerca de 40 famílias da Babilônia e da comunidade vizinha, o Chapéu Mangueira. Para a ONG, este é considerado um projeto-piloto para avaliar na prática esta forma de distribuição de energia. A intenção é que, no futuro, a cooperativa da Babilônia se torne um modelo que possa ser replicado em outras comunidades, para oferecer energia a um custo reduzido para os moradores dessas regiões.

O diretor executivo da Revolusolar, Eduardo Avila, explica que o projeto nasceu de forma ‘orgânica’, dentro da própria Babilônia. A busca por uma alternativa mais sustentável e econômica de fornecimento de energia elétrica foi motivada pela identificação do impacto dessa despesa no orçamento das famílias das comunidades de baixa renda. Além disso, segundo Avila, a geração local de energia também foi pensada como solução para problemas técnicos de fornecimento que costumam acometer essas localidades.

“No Rio de Janeiro, na última década, a conta de luz das residências aumentou 105%, mais que dobrou, e pesa muito mais no bolso da população de baixa renda, porque eles pagam praticamente a mesma tarifa e a renda deles é muito menor. Então, enquanto as classes média e alta pagam 2% a 3% do orçamento familiar de conta de luz, na favela, chega-se a pagar 20%, 30%, 40%. Não cabe no bolso deles”, aponta.

A partir desse entendimento, a Revolusolar começou a captar recursos, buscar parcerias e a se reunir com representantes de outras cooperativas de energia solar do país para desenvolver o modelo que seria aplicado no local. Após a avaliação dos inscritos, de acordo com critérios pré-estabelecidos, a organização conseguiu chegar ao número de 40 famílias das duas comunidades, Babilônia e Chapéu Mangueira, para iniciar a operação a cooperativa. Os cooperados passarão a receber os créditos de energia e deverão economizar entre 30% a 70% com a despesa de energia. Parte da economia que terão com a conta será revertida para a manutenção da cooperativa. O objetivo, de acordo com o diretor executivo da ONG, é permitir que esse modelo se torne autossustentável a longo prazo.

Educação para um futuro sustentável

O trabalho da ONG Revolusolar no Morro da Babilônia começou com instalações sistemas de geração de energia individuais. Uma delas foi feita na Escolinha Tia Percília, instituição de ensino comunitária, considerada referência na região, que atende crianças com aulas de reforço escolar. Com a implantação da geração local, a escola, que é mantida por voluntários e chegou a ameaçar fechar as portas por falta de recursos, conseguiu reduzir pela metade a conta de energia. Outros dois sistemas foram instalados em estabelecimentos comerciais, um hostel e uma pousada. Juntos, os três projetos somam uma economia de cerca de R$ 16 mil ao ano com energia.

Apesar dos bons resultados com a implantação da geração de energia, a ONG decidiu expandir sua atuação a fim de cumprir o propósito de auxiliar no desenvolvimento social da comunidade. Assim, em 2018, a organização começou a promover a capacitação profissional de moradores para que eles estivessem habilitados a instalar e realizar a manutenção dos sistemas de geração. Até o momento, 31 moradores já participaram, e outra turma já está sendo iniciada. Além da formação dos instaladores de sistema solar, a ação está sendo ampliada para envolver também no universo da energia solar outras categorias de profissionais, como professores e administradores, por exemplo.

Outra iniciativa educacional realizada pela organização são as oficinas voltadas para crianças e jovens de 5 a 15 anos, que abordam temas ligados à energia e sustentabilidade. Segundo Eduardo Avila, a ideia de instruir os mais jovens surgiu durante a instalação do sistema na escola, quando as crianças atendidas pela instituição demonstraram interesse em saber mais sobre o projeto. Ele afirma que a intenção é que essas ações possam ir além da geração de energia, impactando toda a comunidade.
Os cooperados passarão a receber os créditos de energia e deverão ter uma redução de até 70% na conta de luz

“Esses três eixos de atuação, que são as instalações, a capacitação profissional e a educação infantil são o que a gente chama de ciclo solar. Os instaladores fazem a instalação e a manutenção das placas e também dão algumas das aulas para as crianças. Nas oficinas, eles também usam as instalações para aproximar essa discussão de sustentabilidade das pessoas, das famílias, das crianças. Então todas essas frentes acabam envolvendo a população local em todas as fases do projeto”, destaca Eduardo Avila.

Além de ensinar sobre os sistemas de geração, a ONG também orienta os moradores sobre o consumo racional de energia. Nesse contexto, são promovidas ações de conscientização sobre como utilizar o recurso de forma adequada, evitando desperdícios. As instruções fazem parte do plano de eficiência energética da Revolusolar, que inclui ações técnicas, como a substituição de equipamentos ineficientes e a troca de lâmpadas tradicionais por modelos de LED. A ONG planeja, ainda, instalar medidores inteligentes de consumo, para que seja possível entender o perfil de consumo e o que pode ser otimizado nas residências.

“A própria energia solar como um todo acaba sendo uma medida de eficiência energética, além da técnica, comportamental também. Porque aproxima o assunto energético dessas famílias. Elas começam a entender melhor, valorizar mais a energia, entender melhor a conta delas e, consequentemente, têm ações mais eficientes energeticamente. Nas oficinas, a gente fala de eficiência energética, na capacitação profissional também. A gente tem como diretriz medidas de eficiência energética”, ressalta Eduardo Avila.

Do Morro da Babilônia para outras comunidades

A ONG Revolusolar foi criada em 2015, na Babilônia, a partir de um trabalho conjunto entre empreendedores sociais e líderes comunitários. Atualmente, a organização conta com dezenas de voluntários, de variados ramos de atuação. Inicialmente, a ONG começou com recursos próprios e, com o passar dos anos, passou a contar com doações de pessoas físicas, financiamento de editais públicos, parcerias com empresas do setor de energia solar e apoio de fundações internacionais.

As iniciativas promovidas pela ONG já renderam diversos prêmios e reconhecimentos, entre eles, a indicação do diretor executivo Eduardo Avila ao prêmio internacional Young Champions of the Earth de 2020, promovido pela ONU Meio Ambiente para incentivar soluções ambientais promovidas por empreendedores de 18 a 30 anos. O economista foi o único representante do Brasil e chegou a ficar entre os cinco finalistas da competição.
Além de ensinar sobre os sistemas de geração, a ONG também orienta os moradores sobre o consumo racional de energia. Projeto também possui um plano de eficiência energética que inclui a substituição de equipamentos ineficientes e distribuição de lâmpadas de LED

Segundo Avila, o foco principal da Revolusolar neste ano será o desenvolvimento do projeto da cooperativa de energia solar. Nos próximos meses, será feita a avaliação do andamento do projeto e a documentação das etapas, para que seja possível desenvolver uma metodologia sobre a implantação desse tipo de iniciativa. Após esse processo, o plano é expandir a cooperativa da Babilônia para atender mais famílias e, posteriormente, desenvolver um modelo que possa ser replicado em outras comunidades. Com isso, a instituição pretende mostrar que a geração de energia solar pode ser um caminho para o desenvolvimento econômico, social e ambiental para comunidades não só do Rio de Janeiro, mas também de outras regiões do país.

“A gente pretende, em 2023, ter levado [o projeto] para, pelo menos, cinco comunidades, com um modelo de autonomia mesmo. Então, a Revolusolar pretende se posicionar como uma organização sem fins lucrativos, que fomenta e dá o método para a criação de cooperativas em comunidades”, revela.

ONG está aberta a parcerias e voluntariado

Outras informações sobre o trabalho realizado pela Revolusolar estão disponíveis no site: www.revolusolar.com.br. Na página também há uma seção destinada a empresas e pessoas físicas que queiram contribuir com os projetos. Na aba ‘Participe’, os interessados encontram as informações necessárias para colaborar, seja com por meio de trabalho voluntário ou através de doações e parcerias.
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