pixel
pixel
pixel
cadastro | dúvidas | fale conosco | links | mapa do site  
pixel
pixel
Busca:
pixel
pixel
pixel
pixel

Áreas Temáticas

Resultados do Procel

Selo Procel Edificações

Pesquisa de Posse e Hábitos

Potencial de EE para Indústria

Eficiência nas escolas

Aquecimento solar de água

Dicas
  Você está em: Procel Info »  Notícias e Reportagens »  Reportagens
Reportagens
voltar

Assunto: ESPECIAL
29.12.21
|
Muito mais que um selo
Procel completa 36 anos com atuação destacada em diversos segmentos da sociedade
Tiago Reis, para o Procel Info
Rio de Janeiro – O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) completa nesta quinta-feira (30/12) 36 anos de existência. Principal política pública brasileira de fomento à eficiência energética, o Procel é muito conhecido por sua atuação na certificação de eletrodomésticos eficientes por meio do Selo Procel, pela modernização da iluminação pública por meio do Procel Reluz, ou projetos educacionais, como o Energia que Transforma, que são desenvolvidos pelo Procel Educação. Mas a atuação do Procel é muito mais abrangente do que os projetos listados acima.

Instituído no dia 30 de dezembro de 1985, por meio da Portaria Interministerial n.º 1.877, dos ministérios de Minas e Energia e do extinto Ministério da Indústria e Comércio, o Procel tem como objetivo principal promover o uso eficiente da energia elétrica e combater o seu desperdício. Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e executado pela Eletrobras, o programa vem desenvolvendo diversas ações ao longo dos anos que contribuem para uma melhor utilização da energia elétrica. Por meio de mudanças de hábitos, atualizações tecnológicas, treinamento e capacitação de profissionais, o Procel trabalha de forma constante para a disseminação de práticas e conhecimentos sobre as diversas possibilidades de consumo eficiente de energia. Além disso, o programa contribuiu em ações estratégicas para o sistema energético brasileiro, seja para a postergação de investimentos no setor elétrico ou auxiliando o país em momentos de crise de abastecimento e de baixa geração de energia.

Por ser um programa de governo em nível federal, o Procel vem atuando ativamente no apoio a execução da Política Nacional de Eficiência Energética, por meio de ações de caráter abrangente, estruturante e com potencial de replicabilidade, o que gera benefícios para inúmeros setores da economia e da sociedade brasileira.

Muitas dessas ações têm contribuído de forma fundamental para a redução do consumo de energia elétrica no Brasil. Apesar de não terem a mesma visibilidade do Selo Procel, estudos e pesquisas desenvolvidos pelo Procel têm contribuído de forma permanente para o aumento dos índices de eficiência energética do país. Nesta reportagem especial, o Procel Info apresenta alguns desses projetos que, seja na indústria, nas edificações, na capacitação profissional, estimularam a eficiência energética no Brasil nos últimos 36 anos.

Edificações: grande potencial de eficiência energética

As edificações, sejam elas residenciais, comerciais, de serviços ou do poder público, são responsáveis por praticamente metade do consumo de energia elétrica do Brasil. Diante desse grande potencial de economia de energia, o Procel desenvolve uma série de estudos e projetos estruturantes, nessa área que ganhou muita relevância com relação à eficiência energética em todo o mundo, impulsionado pelo movimento de transição energética. A arquiteta e urbanista Estefânia Neiva de Mello, que há mais de uma década trabalha no Procel, ressalta que no Brasil sempre houve uma carência de normas e regulamentos voltados exclusivamente para o uso da energia no setor de edificações. Ela recorda que desde 2003, com a criação do Procel Edifica, o programa passou a atuar de forma mais sistemática no desenvolvimento de projetos estruturantes na área de edificações, como a coordenação técnica do Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações (PBE Edifica), e, mais recentemente, em projetos voltados para a obrigatoriedade da etiquetagem de eficiência energética para as novas edificações.

“Atualmente está em desenvolvimento uma análise de impacto regulatório da implementação compulsória de um mecanismo para a avalição da eficiência energética de edificações no Brasil, o que hoje é feito voluntariamente pelo PBE Edifica e pelo Selo Procel Edificações. A implementação compulsória de programas de certificação mostrou-se uma estratégia eficaz em boa parte dos países onde foi efetivo o avanço da eficiência energética no setor de edificações. Também está sendo elaborado um plano para a implementação da compulsoriedade da etiquetagem das edificações em um processo que conta com a participação da Comissão de Partes Interessadas e de toda a sociedade. Nesse momento, inclusive, estamos coletando contribuições para a Análise de Impacto Regulatório no site www.eletrobras.com/airpbeedifica.”, explica Estefânia Mello.
Projetos com apoio do Procel buscam criar um ambiente para a implementação de normas e regulamentações para aumentar a eficiência energética das edificações do país

A arquiteta lembra que os projetos e estudos estruturantes comumente são realizados pelo Procel em parceria com representantes de vários segmentos da sociedade. Ela destaca o convênio firmado com Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) para a criação do Grupo de Estudos permanente, visando o fortalecimento do arcabouço normativo nacional com relação à eficiência energética em edificações. O Sinduscon-SP ocupa a Secretaria Técnica do Comitê Brasileiro da Construção Civil, na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e, neste convênio, está trabalhando na inclusão de requisitos de eficiência energética nas normas de edificações brasileiras, na produção de norma para desempenho de edificações não residenciais, além da tradução de normas técnicas da ISO relacionadas à eficiência energética em edificações, para adoção pela ABNT.

Estefânia ressalta que esses projetos visam estruturar o mercado para garantir que o Brasil passe a produzir edificações que tenham um índice mínimo de eficiência energética, da mesma forma que já acontece com refrigeradores, aparelhos de ar-condicionado e uma série de eletrodomésticos. Atualmente, para o setor da construção civil, não existem requisitos mínimos de desempenho energético, o que permite a construção e comercialização de novas edificações ineficientes, já que não existem normas para barrar esse tipo de empreendimento.

“O Procel vem trabalhando fortemente para estruturar a política de eficiência energética para o segmento de edificações, cuja regulação também está prevista na Lei de Eficiência Energética, publicada em 2001. É um desafio regulamentar esse setor, porque há escassez de normalização nessa área de eficiência energética em edificações. E o Procel vem ao longo de anos construindo, fomentando e disseminando conhecimento, junto ao mercado, academia, governo e demais agentes, para a superação das barreiras”, destaca a arquiteta do Procel.

PPH faz um mapeamento do consumo de energia elétrica do país

Um dos projetos mais longevos da história do Procel é a Pesquisa de Posse e Hábitos de Consumo de Energia (PPH). Realizadas desde 1988, as PPHs têm como objetivo traçar o perfil nacional da posse e dos hábitos de uso de equipamentos elétricos existentes nas residências, no comércio (baixa e alta tensão), na indústria (baixa e alta tensão) e nos prédios públicos. As informações coletadas em campo fornecem parâmetros para o estabelecimento de ações que visam apoiar a formulação de políticas públicas voltadas para o uso eficiente da energia elétrica. A metodologia adotada pela pesquisa permite que o Procel faça a estimativa do consumo de energia elétrica de cada unidade consumidora e sua respectiva curva de carga. De posse dos dados e utilizando análises estatísticas, é possível construir o perfil segmentado do consumo de energia por estado, região e Brasil.

Os dados das PPHs são de fundamental importância para o planejamento do setor elétrico, com seus resultados sendo utilizados para o embasamento de projetos do Procel e formulação de ações de órgãos como Ministério de Minas e Energia, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), concessionárias de distribuição de energia, projetos dos Programas de Eficiência Energética regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e demais agentes do setor elétrico, além de ser fonte relevante de consulta para pesquisas acadêmicas.

“Essas pesquisas constituem importante instrumento de gestão, pois seus resultados contribuem para a orientação e planejamento das ações do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), além de também constar na formulação de diversos planos do setor elétrico, como por exemplo, o Plano Nacional de Eficiência Energética, o Plano Nacional de Energia, o Plano Decenal de Expansão de Energia, entre outros. Os dados da PPH também são utilizados por pesquisadores e acadêmicos, inclusive do exterior, servindo ainda como base orientativa para diversos setores da economia, como o industrial e o comercial”, explica o engenheiro do Procel, Moisés Antonio dos Santos, que atuou na equipe de coordenação da edição de 2019 da PPH.
Com coordenação do Procel, as Pesquisas de Posse e Hábitos de Consumo de Energia (PPH) são de fundamental importância para o desenvolvimento de políticas públicas para o setor de eficiência energética

Em seus 36 anos, o Procel coordenou a realização de 4 edições da PPH: no ano de 1988, com foco na classe residencial; em 1998, também no segmento residencial; em 2005, com um escopo de análise mais amplo, abrangendo os segmentos residencial, comercial (baixa e alta tensão), industrial (baixa e alta tensão) e poderes públicos (alta tensão); e em 2019 também no âmbito residencial.

Essa última edição, além do formato tradicional, com gráficos e tabelas estáticos, também conta com uma versão online da pesquisa. A ferramenta, que está disponível no Portal Procel Info, permite que o usuário, por meio de um software de Business Intelligence (BI), consiga, de forma automatizada, fazer diversas consultas no banco de dados da pesquisa. A ferramenta também permite a produção de relatórios estatísticos estratificados, cruzamento de dados e construção de curvas de carga.

“As informações reunidas por meio da Pesquisa de Posse e Hábitos de Uso de Equipamentos são úteis para vários outros agentes, desde concessionárias de energia elétrica a fabricantes de equipamentos, passando por universidades e até mesmo por instituições governamentais, inclusive instituições de planejamento que visam à criação de políticas públicas para o setor de eficiência energética. É fundamental ressaltar que ter acesso a informações atualizadas é premissa básica de qualquer planejamento, melhor ainda se as informações estiverem sendo divulgadas de maneira organizada e de fácil compreensão, e esse é o papel da plataforma PPH Web. O usuário deixa de acessar um relatório estático e passa a contar com um ambiente amigável e visual, fato que sem dúvida facilita e agrega qualidade na informação”, ressalta Luciano de Barros Giovaneli, que foi um dos coordenadores da edição da PPH 2019 nos formatos tradicional e web.

PAR-Procel ampliou a área de atuação dos projetos

Com a instituição do Plano de Aplicação de Recursos do Procel (PAR-Procel), no ano de 2016, o programa passou a ter uma fonte regular e permanente de recursos para financiar os seus projetos. Com um orçamento definido, o Procel, além das ações segmentadas, passou a desenvolver projetos plurianuais e atuar em novos setores para estimular a eficiência energética no país.

Um dos projetos desta nova fase é o Plano Decenal de Eficiência Energética (PDEf). Coordenado pela Eletrobras, por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), com participação de um Comitê Estratégico composto pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Ministério de Minas e Energia (MME), trata-se de iniciativa inédita no Brasil, que apresenta uma série de ações para ampliar a eficiência energética em setores relevantes da sociedade, como as edificações, a indústria, o poder público, os transportes e o agronegócio, além de ações transversais. Divulgada em março de 2021, a proposta do primeiro PDEf estabeleceu uma meta de economia de energia definida de acordo com o Plano Decenal de Energia de 2029 (PDE 2029), documento que forneceu as diretrizes para o PDEf. A proposta do PDEf foi de ampliar em 10% os ganhos em eficiência energética estabelecidos pelo PDE 2029, de forma a lidar adequadamente com os riscos de implantação.

“A proposta para o PDEf será importante tanto para os tomadores de decisão, no que se refere aos investimentos anuais em eficiência energética, como já ocorre na elaboração do 4º PAR do Procel, quanto para os executores dos programas. Ao mesmo tempo, é uma referência técnica para o setor, tendo em vista os mapeamentos referentes às ações já desenvolvidas no Brasil e às melhores práticas internacionais, que respaldaram as ações apresentadas”, avalia o engenheiro Carlos Aparecido Ferreira, que foi o representante do Procel durante o processo de elaboração da proposta.

Outra iniciativa de longo prazo desenvolvida pelo Procel é o ‘Sistema de Indicadores para Eficiência Energética’. O projeto tem como objetivo identificar e propor indicadores de eficiência energética para cinco setores de consumo energético do país (Residencial, Industrial, Agropecuária, Comercial e Público), assim como a modelagem de um sistema informatizado para gerenciamento dos indicadores.
Com a instituição do Plano de Aplicação de Recursos, o Procel diversificou a sua área de atuação e passou a investir em projetos de longo prazo nos setores de Inovação e Financeiro

“A avaliação contínua destas ações pode aprimorar a eficiência de alocação de recursos e direcionar projetos. Uma das formas de acompanhamento e avaliação destas ações é a montagem de um sistema de indicadores de eficiência energética que abrangesse toda cadeia, desde a coleta de dados até a divulgação e análise dos macroindicadores. Vários estudos nacionais e internacionais apontam a falta de um maior número de indicadores em eficiência energética como uma lacuna da política pública nacional”, explica Moisés Antonio dos Santos, que atualmente acompanha os trabalhos da empresa contratada para desenvolver o projeto.

Moisés também destaca que o Procel desenvolve um projeto que pode trazer grandes benefícios para as empresas que atuam com a distribuição de energia elétrica. Com foco no monitoramento e identificação de falhas na evolução da eficiência energética de transformadores imersos em óleo para redes aéreas de distribuição, o projeto visa promover a redução do desperdício e estimular o uso racional e eficiente da energia elétrica nas redes de distribuição. Atualmente, a utilização de transformadores de baixa qualidade é responsável por 1/3 das perdas elétricas das redes de distribuição, o que gera um prejuízo para as empresas e, consequentemente, um aumento no valor da conta de luz dos consumidores.

“O objetivo do projeto é a formação de um banco de dados com informações consolidadas e confiáveis permitindo monitorar a evolução da eficiência energética de transformadores imersos em óleo para redes aéreas de distribuição, com foco em identificar as principais lacunas atualmente existentes no programa de etiquetagem de transformadores por meio da análise quantitativa e qualitativa dos dados já obtidos nesse programa, e, desta forma, identificar ações e obstáculos para a evolução dos transformadores sob o ponto de vista de eficiência energética”, revela Moisés.

Com o Plano de Aplicação de Recursos, o Procel também passou a realizar investimentos em projetos plurianuais em setores estratégicos como o de Inovação, com o Programa LAB Procel, Saneamento, com a Pesquisa de Informações Hidroenergéticas no Saneamento (PIHES), na Indústria, com a reativação da Rede Lamotriz, e no setor financeiro, com o recente lançamento do FGEnergia, fundo que vai oferecer mais de R$ 40 milhões em garantia de financiamento de projetos de eficiência energética para micro, pequenas e médias empresas do Brasil.

Com a diversificação da sua área de atuação, os projetos estratégicos do Procel garantem a perenidade das ações de eficiência energética no Brasil, proporcionando uma economia de energia longa e duradoura que vai muito além dos seus 36 anos.
Imagem para contabilização de acessos a páginas
Envie a um amigo
Imprimir
pixel
Imagem para contabilização de acessos a páginas