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Assunto: Sustentabilidade
02.12.19
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Descarte ineficiente
Rio de Janeiro – Introdução do LED nos sistemas de iluminação pública traz benefícios econômicos e sociais para os municípios brasileiros. Mas depreciação prematura cria problema ambiental ainda sem solução no curto prazo
Prefeitura de Curitiba/Divulgação
Tiago Reis, para o Procel Info
Rio de Janeiro – O Brasil vem passando por uma grande transformação nos sistemas de iluminação pública. Desde a metade desta década, houve um crescimento vertiginoso da iluminação LED nas ruas e avenidas do país. Seja com recursos próprios, Parcerias Público-Privadas (PPP), Programas de Eficiência Energética das distribuidoras, ou Chamadas Públicas (como a do Procel Reluz), cidades de todas as regiões do país estão buscando alternativas para substituir os atuais parques com lâmpadas de vapor de sódio ou de mercúrio, por luminárias LED. Os benefícios são muitos: melhor luminosidade, que reflete no aumento da segurança de motoristas e pedestres; recuperação de áreas antes abandonadas devido à ineficiência da iluminação; e os ganhos financeiros, já que o LED possui uma vida útil maior que as demais lâmpadas e consome menos energia, o que gera uma economia significativa para as prefeituras na administração da iluminação pública.

Atualmente, dos cerca de 18 milhões de pontos de iluminação pública, aproximadamente 600 mil, são de LED. O número pode parecer pequeno, mas quase 90% das luminárias foram instaladas a partir do ano de 2016. O potencial de crescimento dessa tecnologia no país é enorme, e projeções mostram que nos próximos dez anos o Brasil pode ter um acréscimo de mais de 23 milhões de luminárias LED nas ruas, avenidas e praças das cidades. Com essa rápida transformação, surge uma dúvida: para onde serão levadas as luminárias e lâmpadas antigas?

Estudo encomendado pela Eletrobras, por meio do Plano de Aplicação de Recursos do Procel (PAR-Procel/2017), e elaborado pela empresa Genos Engenharia e Consultoria Ambiental fez um diagnóstico de como os municípios brasileiros tratam a questão do descarte de luminárias públicas. O resultado acendeu o sinal de alerta. Quase metade dos municípios consultados não possui uma estratégia adequada para o descarte correto das lâmpadas utilizadas na iluminação públicas.

Em conversa com a reportagem do Procel Info, durante a realização do III Workshop de Iluminação a LED, ocorrido em outubro no Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel), o engenheiro ambiental Raphael Cobra, um dos organizadores do estudo, revela que o levantamento  identificou dados alarmantes sobre o descarte de luminárias: 59% dos municípios investigados não conhecem o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), que é um diagnóstico do conjunto de resíduos gerados pelo município e como eles devem ser descartados adequadamente. Já 43% dos municípios registram as operações de descarte e apenas 35% recolhem esses produtos para a reciclagem. O estudo foi realizado presencialmente nos municípios de Poços de Caldas-MG, Matão-SP, Londrina-PR, São Paulo-SP, Porto Alegre-RS, Campo Grande –MS, Manaus-AM, Lauro de Freitas-BA, João Pessoa-PB e Brasília-DF.
Com o descarte inadequado das luminárias LED, os ganhos com eficiência energética são neutralizados com os danos ao meio ambiente

Para Cobra, num momento de modernização dos parques de iluminação pública com LED, em que são ressaltados os ganhos em eficiência energética, o descarte inadequado das luminárias antigas pode ter como efeito colateral uma ineficiência ambiental. “Minimização dos impactos para substituição por tecnologia LED, primeiramente, tem que passar pelo descarte adequado da tecnologia atual. Toda a luminária de vapor metálico, sódio ou mercúrio tem que ser descartada como resíduo perigoso e sofrer um processo adequado de tratamento. Aí, depois de substituído o parque, em determinado momento pode ser que a luminária vai chegar ao seu fim de vida ou vai ser descartada prematuramente. Nesse caso, no momento em que acontece a substituição, o município tem que estar preparado desde o edital de licitação, até todos os acordos e contratos que devem ser feitos para poder garantir que todo o ciclo de vida do equipamento seja adequado. Então, no edital, tem especificações que o município pode colocar, tem garantias que pode exigir, o tempo de garantia do produto. O município pode se planejar para as eventualidades durante o ciclo de vida do produto, para que possa descartar corretamente. Então, é um planejamento que garante que o próprio equipamento LED não gere os impactos que ele poderia gerar.”, explica.

Ele destaca que dois principais problemas resultam no descarte inadequado das luminárias. O primeiro é que a legislação ambiental brasileira não está preparada para o descarte em grande número das luminárias LED. O outro ponto que contribuiu para os resultados apresentados pelo estudo foi a falta de conhecimento técnico sobre como trabalhar com esse tipo de luminária, o que causa uma depreciação prematura, muitas vezes provocada por má instalação, ou projetos inadequados.

Cobra salienta que, ao identificar essas falhas, o estudo listou 13 recomendações para uma melhor gestão dos resíduos provenientes da iluminação pública com LED. “Uma das 13 diretrizes macro desse trabalho, feito com apoio do Procel, é a capacitação. E a capacitação ajuda a evitar o descarte prematuro, mas também toda a manutenção do produto, em uso. Então, se o produto vai continuar em uso, é necessário que os atores estejam capacitados. Não apenas o técnico para a instalação, mas os gestores, o município, todo mundo precisa entender essa tecnologia nova, porque, se ela vai ser substituída, pressupõe-se também que novas características e normas precisam ser conhecidas pelo município que também será iluminado por LED”, destaca Raphael Cobra.
Estudo encomendado pelo Procel identificou que a falta de conhecimento é o principal fator para o descarte prematuro das luminárias LED

O engenheiro ressalta também que a maior presença do LED no cotidiano da população pode estimular a criação de um mercado específico para a reciclagem de LED. Com o volume de material disponível, ele acredita que essa cadeia produtiva também pode absorver as luminárias originárias da iluminação pública. “Quando a gente está falando de lâmpada LED, no futuro, ela vai ter uma presença cada vez maior, principalmente entre os consumidores domésticos. Vai haver caminhos para a reciclagem, cada vez mais, por causa do volume e também por ser um resíduo eletrônico. Agora, para a luminária, ela também é descartada em grande volume. Mas isso não aconteceu ainda, já que o tempo de vida desse produto é maior que o da lâmpada. Então isso não aconteceu, não houve grandes movimentos de descarte, mas essa pontualidade, o descarte em grande volume, a complexidade do resíduo gerado, isso tudo justifica haver processos específicos para a gente poder aproveitar ao máximo os materiais presentes e não ficar restrito apenas nas grandes partes de alumínio e grandes partes de cobre que estão presentes ali, mas também tentar recuperar os equipamentos que estão em menor quantidade”, avalia Raphael Cobra.
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