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Assunto: ESPECIAL
01.10.20
|
Indústria eficiente
Programa Aliança, iniciativa da CNI, em parceria com a Eletrobras, Abrace e UFCG, aumentou a competitividade nacional por meio de ações de eficiência energética
Divulgação
Tiago Reis, para o Procel Info
Minas Gerais – Foi encerrado no mês de setembro o primeiro ciclo do Programa Aliança, iniciativa Confederação Nacional da Indústrias (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Ministério de Minas e Energia, Eletrobras – por meio do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) – e a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que tem como meta aumentar a competitividade da indústria brasileira com ações de eficiência energética. Nesta etapa, que teve início em 2017, doze plantas industriais com grande consumo de energia foram beneficiadas pelo projeto, que proporcionou uma economia de energia superior a 175 GWh, energia suficiente para abastecer uma cidade de 60 mil habitantes durante um ano.

Pioneiro e inovador, o Programa Aliança demonstrou para a sociedade a viabilidade real da implementação de ações de eficiência energética em sistemas energointensivos. Por meio de acordos voluntários, iniciativa inédita no Brasil nesse campo, as indústrias receberam consultorias de especialistas da CNI, do Procel e da UFCG para a implementação de medidas para a redução do consumo de energia. O resultado: mais de R$ 120 milhões em custo evitado com energia.

“As oportunidades de redução de custo de energia nas empresas que participaram do Programa Aliança chegam a R$ 122 milhões a partir de apenas R$ 5,5 milhões de investimento, com um payback médio de menos de um mês. Considerando o cenário econômico que estamos vivendo, trata-se de uma oportunidade ímpar para o setor industrial reduzir seus custos operacionais, sem necessidade de altos investimentos e com retorno rápido", afirma o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi.

Neste ciclo, participam 12 plantas industriais das empresas ArcelorMittal, Aperam, CSN, Gerdau e Vallourec (siderurgia), AngloAmerican, Nexa e Rima Industrial (metalurgia & mineração), CSN Cimentos (cimento), Suzano (papel e celulose) e Oxiteno (química), sendo que a CSN e a Nexa participaram com duas fábricas cada. Nesta fase, por meio de um convênio celebrado entre a CNI e a Eletrobras, o Procel, através do Plano de Aplicação de Recursos (PAR Procel – 2017), financiou até 45% do orçamento necessário dos serviços de consultoria para a identificação e implementação das ações. O investimento em projetos de capital foi realizado exclusivamente pelas indústrias parceiras a partir das recomendações do programa.

Para a Superintendente de Gestão de Participações em SPE e Programas de Governo da Eletrobras, Renata Leite Falcão, o Programa Aliança representa um divisor de águas na eficiência energética no segmento industrial. Ela ressalta que a entrada do Procel entre os parceiros fortaleceu o Programa Aliança, já que o programa passou a contar com uma fonte estável de recursos e com uma referência técnica que efetivamente contribuiu para a construção e ajustes na metodologia, possibilitando maior segurança na execução dos projetos sugeridos pela equipe técnica do Aliança.

“O Programa Aliança representa um marco na atuação do Procel no segmento industrial, pois fortaleceu a cultura da eficiência energética nas empresas participantes e quebrou paradigmas, tratando de soluções não só voltadas para sistemas elétricos, mas também para sistemas térmicos e fez a ponte entre a academia e a indústria, trazendo soluções com modelagem computacional de alta performance. Tudo isso com a adoção de Acordos Voluntários, um mecanismo ainda pouco adotado no Brasil e com a participação de parceiros estratégicos como a CNI e a Abrace. Assim, foi possível reduzir 175 GWh de consumo de energia em 12 indústrias, aproximadamente 2% do seu consumo, com atuação no setor de siderurgia, automotiva, entre outros”, destaca Renata Leite Falcão.
As ações de eficiência energética implementadas nas 12 plantas industriais resultaram numa economia de energia superior a 175 GWh, o suficiente para abastecer uma cidade de 60 mil habitantes por um ano

O Programa Aliança inovou ao priorizar a adesão das indústrias participantes por meio de acordos voluntários. Menos burocrático, esse instrumento jurídico atesta o interesse das empresas em aumentar a sua competitividade por meio da eficiência energética.

“As empresas que aderem ao Programa Aliança o fazem por meio de um acordo voluntário com a CNI e cobrem mais da metade dos custos de horas técnicas necessárias para a realização do trabalho. Isso mostra o compromisso das indústrias para implementar de fato as medidas recomendadas pelo Programa", acrescenta Lucchesi.

Já para Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace, o Programa Aliança tem como grande virtude a possibilidade de se obterem resultados significativos em termos de economia de energia, com investimento relativamente baixo e retorno quase imediato. Ele ressalta que essa vantagem amplia a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

“Nossos associados, que são a grande indústria consumidora de energia, vivem a realidade do mundo globalizado de elevada competitividade. Neste ambiente, onde o custo com energia é estratégico e determinante para o preço final dos produtos, o MWh mais barato é aquele que não foi consumido na produção. E o Programa Aliança está sendo chave neste processo de eficientização nos consumos com energia elétrica, gás natural e até no uso da água. O que vimos nesta etapa do projeto é que boa parte das iniciativas mapeadas pelo Programa Aliança tem um retorno bem rápido. Os relatos de resultados das indústrias que se engajam no projeto são muito positivos”, afirma Paulo Pedrosa.

Quebra de paradigmas

O Programa Aliança também representou a quebra de uma série de paradigmas que envolvia o setor industrial brasileiro. Um dos primeiros ‘tabus’ a serem quebrados foi a integração entre a universidade e a indústria. A união, a princípio vista com resistência pelos dois lados, transformou-se em uma grande parceria. Integrante da coordenação técnica do Programa Aliança, o professor da UFCG, Romildo Pereira Brito, destaca que dois pontos contribuíram para a quebra desse paradigma. O primeiro foi a necessidade de mostrar que a universidade, com a sua produção de conhecimento, teria condições de atender a indústria em seus desafios do dia a dia. Já o segundo foi o profissionalismo e o conhecimento técnico dos estudantes de graduação e pós-graduação da universidade, que, ao chegar às plantas industriais, conseguiram identificar rapidamente oportunidades de ganhos em eficiência energética, principalmente em processos que representavam grandes custos para as empresas.

“A parceria com o mercado sempre foi mal vista no ambiente acadêmico. Mas, na minha opinião, a universidade e as empresas precisam se unir. A indústria nem sempre tem tempo para pesquisar. Já a universidade tem conhecimento e capacidade para atender a indústria. Como a universidade está à serviço da sociedade, as nossas pesquisas não podem ficar engavetada. Batemos à porta da indústria e conseguimos quebrar vários hábitos e práticas consolidadas. Com conhecimento técnico e postura profissional, os alunos conseguiram rapidamente conquistar o respeito e a credibilidade dos gestores das empresas. E isso ajudou muito na implementação dos projetos e nos resultados alcançados”, afirma o professor Romildo Brito.
Com investimento de apenas R$ 5,5 milhões, as ações do Programa Aliança reduziram em mais de R$ 120 milhões os custos com energia. O payback médio das ações implementadas foi de menos de 1 mês

Para Samuel Moreira Duarte Santos, representante do Procel na gestão do Programa Aliança, a inclusão de sistemas térmicos foi outra inovação apresentada pelo programa. Ele lembra que o Procel, por ser um programa com foco em energia elétrica, até então nunca tinha aplicado recursos em projetos que envolviam energia térmica. Mas com o Programa Aliança foi diferente.

"O Programa Aliança quebrou diversos paradigmas. Em relação à parte técnica, gosto sempre de destacar a atuação em sistemas térmicos e em processos industriais. Quanto à abordagem de sistemas térmicos, o Procel esteve limitado no passado ao fato de ser o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, mas essa evolução é fruto de aplicação de metodologias que conseguem identificar as ações de maior impacto, mesmo que a fonte primária não esteja diretamente vinculada à eletricidade. Já em relação à atuação em processos industriais, tínhamos que superar a barreira natural de se trabalhar com política pública em processos muito específicos. Naturalmente, é inviável um Programa ter especialistas em vários processos industriais, mas isso foi superado quando entendemos que os processos são, na verdade, uma composição de cadeiras da engenharia. Desse modo, o Programa Aliança conseguiu conciliar sua atuação em maiores consumidores, na fonte de energia de maior potencial (térmica) e nos processos mais significativos energeticamente.", explica Samuel.

Para George Camargo dos Santos, também representante técnico do Procel no Programa Aliança, os ganhos em destacar os sistemas térmicos, algo extremamente necessário, não minimizaram os esforços noutra área importantíssima: os sistemas motrizes. A sinergia entre sistemas térmicos e motrizes também foi um ponto alto neste Programa Aliança.

Cultura da sustentabilidade

O trabalho realizado de maneira integrada entre a equipe do Programa Aliança e as indústrias beneficiadas, além de proporcionar um rápido conhecimento dos processos de produção, buscando oportunidades de redução de consumo de energia e, consequentemente, de custos operacionais, também proporcionou a criação de um ambiente em que a cultura da eficiência energética e sustentabilidade passasse a fazer parte da rotina diária das empresas que aderiram ao Programa.

Para Gustavo Soares Vasconcelos, Consultor de Gestão e Cultura do Programa Aliança, um dos grandes legados deste ciclo é a consolidação da cultura da eficiência energética nos ambientes industriais.

“O Programa Aliança preconiza a implantação de ações que efetivamente gerem resultados. Não se trata, portanto, de diagnóstico puro e simples, diferentemente de outros programas de eficiência energética. Para isso, sua metodologia foi desenhada para um ciclo de longo prazo, com 24 meses de execução. Em paralelo com a vertente técnica do programa - e dando suporte a ela, a vertente cultural teve como prioridades a atuação em três pilares: pessoas, comunicação e gestão. A meta foi trazer o tema 'eficiência energética' cada vez mais para a agenda estratégica dos parceiros industriais do programa”, afirma.
Aprovado do PAR-Procel (2018/2019) Programa Aliança 2.0 terá orçamento de pelo menos R$ 10 milhões e até 24 plantas industriais beneficiadas

Durante a vigência deste ciclo, três produtos patrocinados pelo Programa Aliança foram disponibilizados para a sociedade. No final de julho, entrou no ar a plataforma online do Programa Aliança. Nela, o internauta tem a sua disposição um Banco de Dados completo com uma série de informações sobre os projetos de eficiência energética implementados em indústrias com grande consumo energético beneficiadas pelo programa, preservando os dados técnicos das indústrias considerados confidenciais. O portal também disponibiliza informações técnicas e gerenciais sobre projetos, soluções inovadoras, tecnologias, ferramentas e softwares relacionados à eficiência energética industrial. A plataforma possui, ainda, um canal de comunicação com os gestores do programa e notícias sobre eficiência energética no setor industrial, além de apresentar a metodologia do Programa Aliança.

Já no mês de agosto, foi lançado o aplicativo do Programa Aliança , ferramenta que permite ao usuário acessar diversas funcionalidades, tais como: informações institucionais do Programa Aliança e seus parceiros, ferramenta de plano de ação, seções com dicas, agenda de eventos, fotos, vídeos, textos e áudios (podcasts), ambientes interativos (quiz, banco de ideias). O App tem como principal objetivo ser uma ferramenta de apoio ao incremento da gestão estratégica do conhecimento, no que tange à eficiência energética, potencializando a cultura interna de sustentabilidade nas empresas participantes. E no início de setembro foi liberada a versão brasileira do software Measur. Desenvolvido pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE), o Measur reúne várias ferramentas para a análise do consumo de energia em diversos sistemas e equipamentos industriais, sendo atualmente um dos principais softwares utilizados internacionalmente em projetos de eficiência energética em plantas industriais.

Avaliação dos resultados

Encerrado o ciclo do Programa Aliança, o momento é de avaliar os resultados. O Procel Info consultou representantes de quatro empresas que participaram desta fase do Programa, que destacaram a importância de o Brasil contar com um programa de eficiência energética voltado para os grandes consumidores de energia. Confira nos links abaixo a avaliação dos representantes das empresas Aperam, ArcelorMittal, CSN e Vallourec.

Gustavo Ludgero - Especialista de Energia e Utilidades da ArcelorMittal Tubarão

Diogo Costa de Santana Gerente de Planejamento de Energia CSN

Luciano Lellis Miranda Responsável pela área de eficiência energética da unidade da Aperam, em Timóteo-MG

Hildeu Dellaretti Junior - Superintendente de Relações Institucionais das empresas do grupo Vallourec no Brasil

Programa Aliança 2.0

Aprovado no segundo ciclo do Plano de Aplicação de Recursos do Procel (PAR Procel-2018/2019), o Programa Aliança 2.0, que prevê o aperfeiçoamento e a continuidade do Programa Aliança, além da quantificação dos resultados energéticos implementados no ciclo anterior, planeja a expansão dos trabalhos para até 24 plantas industriais. O Aliança 2.0 também contempla um projeto piloto que envolva CAPEX.

A próxima etapa do Programa possui um orçamento de R$ 10.000.000,00 com recursos do Procel e a expectativa é de que a soma dos valores a serem captados juntos aos parceiros industriais com recursos não financeiros da CNI totalizem um valor próximo ao valor previsto no PAR Procel.

As informações completas sobre o Programa Aliança 2.0 podem ser consultadas no site www.programaaliancacni.com.br.
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